Espécies e colônias

Conheça agora as espécies mais comuns de maior importância econômica à produção agrícola. Mais de 70% das espécies existentes de formigas cortadeiras estão presentes no Brasil: das 15 espécies de saúvas conhecidas, 10 ocorrem no Brasil e 20 são as espécies de quenquéns encontradas no território brasileiro. É por isso que, em nosso país, os problemas causados pelas infestações são mais agudos e de maior impacto econômico.

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Principais Saúvas

Nome Científico Nome Comum Cultura Atacada
Atta sexdens Saúva Limão Eucalyptus, Pinus e culturas agrícolas
Atta laevigata Saúva Cabeça-de-Vidro Pastagens, reflorestamento, cana-de-açúcar e culturas
Atta capiguara Saúva Parda Pastagens e cana-de-açúcar
Atta bisphaerica Saúva Mata-Pasto Pastagens e cana-de-açúcar
Atta cephalotes Saúva da Mata Principalmente mandioca e cacau

Principais Quenquéns

Nome Científico Nome Comum Cultura Atacada
Acromyrmex crassispinus Quenquém-de-Cisco Pinus e Eucalyptus
Acromyrmex heyri Formiga-de-Monte-Vermelha Gramíneas
Acromyrmex laticeps Formiga-Mineira, Quenquém Campeira Plantas dicotiledôneas e gramíneas, cultivadas
Acromyrmex lobicornis Quenquén-de-Monte-Preta Plantas dicotiledôneas e gramíneas, cultivadas
Acromyrmex lundi Quenquém Mineira-Preta Florestas cultivadas e culturas agrícolas
Acromyrmex octospinosus Quenquém Mineira-da-Amazônia Florestas cultivadas e culturas agrícolas
Acromyrmex rugosus Formiga-Quiçaçá, Formiga-Mulatinha Eucalyptus e outras plantas
Acromyrmex striatus Formiga-de-Rodeio, Formiga-de-Eira Eucalyptus. Pode atacar gramíneas
Acromyrmex subterraneus Quenquém-de-Cisco-Graúda, Caiapó-Capixaba Eucalyptus, Pinus e outras dicotiledôneas

Outras Saúvas

Nome Científico Nome Comum Ocorrência
Atta silvai - Sul da BA
Atta robusta Saúva Preta RJ
Atta opacipeps Saúva do Sertão do Nordeste PI, CE, RN, PB, PE, SE e Nordeste da BA
Atta vollenweideri - RS e MT
Atta goiana - GO e MT

Outras Quenquéns

Nome Científico Nome Comum Ocorrência
Acromyrmex ambigurus Quenquém Preto Brilhante SP, BA e RS
Acromyrmex asperus Quenquém Rajada MG, SP, BA, ES, RJ, MT, PR, SC e RS
Acromyrmex coronatus Quenquém de Árvore SP, PA, CE, BA, ES, MG, RJ, MT, GO, SC e MS
Acromyrmex diasi - DF
Acromyrmex disciger Quenquém-Mirim SP, RJ, MG, PR e SC
Acromyrmex hispidus Formiga Mineira PR, SC, SP e RS
Acromyrmex hystrix Quenquém de Cisco da Amazônia AM, PA, RO, GO, BA e MT
Acromyrmex landolti Boca-de-cisco, Formiga-Rapa e Meia-Lua SP, MG, SC, GO, MT e MS
Acromyrmex niger - SC, SP, CE, MG, RJ, ES e PR
Acromyrmex nobilis - AM
Acromyrmex multicinoclus Formiga Mineira CE, ES, RJ, SP, SC, MG e PR

Diferenças entre saúvas e quenquéns

Saúvas

As formigas cortadeiras do gênero Atta (saúvas) possuem 3 pares de espinhos no dorso do tórax.

Já as formigas do gênero Acromyrmex (quenquéns) têm 4 ou mais pares de espinhos no dorso e, além disso, o seu dorso do gáster (parte do abdômen) é mais rugoso que o das saúvas.

Quenquéns

Soldados são maiores – Nas colônias de saúvas, encontramos operárias de 2 mm a 1,5 cm de comprimento. As grandes são chamadas de soldados e, tecnicamente, essa grande diferença entre formigas é chamada de polimorfismo.

As quenquéns são menores – As quenquéns não possuem diferenças de tamanho acentuado entre as costas e, nas suas colônias, não se encontram formigas de tamanhos tão distintos. Suas operárias, por exemplo, são menores que as da saúva, na média. Outra diferença: entre as quenquéns, não existe a casta dos soldados.

Como são os ninhos?

Os ninhos da Acromyrmex (quenquéns) são menores que os ninhos da Atta (saúvas). Normalmente os ninhos de saúva possuem grande quantidade de terra solta no exterior, podendo ter grande extensão de área de terra solta.

Em contrapartida, os ninhos de quenquéns não ultrapassam 5 m² de superfície de terra solta. Internamente os ninhos de saúvas podem possuir até 8.000 câmaras de cultivo de fungo, com profundidade de até 8 metros. Por outro lado, os ninhos de quenquéns são bem menores, com 5 câmaras no máximo e podem atingir até 2 metros de profundidade.

Os ninhos de quenquéns podem abrigar populações de até 175.000 indivíduos, enquanto os ninhos de saúvas alcançam de 3,5 a 7 milhões de indivíduos.

Como são os ninhos

É comum confundir ninhos novos de saúvas ou ninhos de adultos de algumas espécies de quenquéns. Aliás, também é possível confundir as próprias espécies, pois ninhos de saúvas com menos de 2 anos ainda não possuem operários soldados.

De modo geral, pode-se dizer que os ninhos de quenquéns são construídos mais superficialmente e por isso apresentam pouca terra solta na superfícies. Há espécies de quenquéns que também depositam grande quantidade de vegetais secos sobre os ninhos.

Outras características de certas quenquéns é fazer ninhos nos espaços existentes entre pedras, troncos de árvores e alicerce de construção civil - ou até mesmo sobre árvores.

Enfim, poucas espécies de quenquéns fazem ninhos que possam ser confundidos com sauveiros. Mas se restar alguma dúvida, examine bem a terra solta, pois os grânulos deixados pelas quenquéns em geral são menores que os grânulos das saúvas.

Frequentemente, os ninhos de quenquéns são construídos em locais de difícil acesso e os orifícios de entrada e saída de formigas são menores que os das saúvas.

Descritivo de alguns ninhos
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Colônias

Fundação da Colônia

Anualmente, os formigueiros adultos de Atta e Acromyrmex produzem formigas aladas - machos e fêmeas, que saem para criar novas colônias e perpetuar a espécie.

No Sudeste e Centro Oeste, esse fenômeno ocorre de setembro a dezembro e, no Sul, vai de junho a dezembro. São épocas que coincidem, em boa parte, com o início do período das chuvas e com a fase mais quente do ano.

A fêmea da saúva (rainha, tanajura ou içá) é fecundada por até 7 machos (bitus), durante um vôo nupcial. Em seguida, ela desce ao solo e arranca suas asas, enquanto os machos morrem.

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Início de perfuração do solo pela Rainha

Nessa fase de vôo nupcial e abertura de uma câmara no solo, a mortalidade de içás é muito alta. Em Atta sexdens rubropilosa, por exemplo, alcança 99,5%. Ou seja, apenas 0,05% das suas fêmeas geradas por essa espécie permanecem vivas e criam uma nova colônia adulta.

Em seguida, a rainha começa a perfurar o solo, onde abre um canal com profundidade de 8 a 25 cm, ao final do qual ela constrói uma câmara inicial. Depois de se acomodar lá dentro, a rainha veda o canal com terra escavada na própria câmara e, desse modo, está fundada uma nova colônia: de início, apenas a rainha e sua câmara, cuja construção dura aproximadamente 10 horas.

100 dias

Antes de sair da "colônia mãe" para o vôo nupcial, a içá aloja uma pelota de fungo na cavidade infrabucal. Logo depois que se fecha na câmara inicial, deposita no chão essa pelota de fungo e começa a cultivá-lo com suas próprias fezes e secreções.

A fêmea ficará assim, enclausurada, por 80 a 100 dias. Nesse tempo, ela põe dois tipos de ovos: os ovos grandes, que servirão para alimentar as larvas, e os ovos pequenos, que dão origem às operárias - tanto jardineiras como carregadeiras.

Cavidade infrabucal

Cavidade infrabucal onde a içá guarda o fungo para a formação da nova colônia.

Tarefas Iniciais das Operárias - Cuidar do fungo, das larvas, da limpeza própria e da rainha, e transportar a prole dentro da câmara.

Expansão da Colônia

Depois dos 100 dias, as primeiras operárias cortadeiras/carregadeiras retiram a terra que veda o canal e saem para cortar folhas, ampliando a cultura de fungo. Mas somente depois de 421 dias elas abrião um segundo orifício (olheiro) na colônia e a partir daí o sauveiro expande-se rapidamente.

À medida que a colônia cresce, a rainha coloca os ovos que dão origem a operárias de diferentes tamanhos e, também, ovos para a geração de novas rainhas e machos. Os ovos para produção de machos não são fertilizados e, em algumas espécies, as operárias também podem colocar ovos não fertilizados.

Alimentação das formigas

Normalmente, as saúvas e quenquéns fazem o corte das folhas o dia todo e a noite. É comum durante o inverno, o corte acontecer somente durante o dia.

As responsáveis por essa atividade forrageira são as formigas operárias e cada uma cuida integralmente da tarefa: vai até o local de corte, sobe na planta e corta o fragmento de folha, transportando-o para o ninho.

Entre as operárias da Atta sexdens rubropilosa, às vezes essa atividade segmenta-se: algumas sobem nas plantas, cortam as folhas e deixam-nas cair no solo; em seguida, outras transportam esses pedaços para o ninho.

Quando as operárias estão se dirigindo para um local de corte, podem mudar de objetivo se encontrarem um alimento mais atrativo. Este é o princípio de eficácia de Mirex-S: a polpa cítrica e outras substâncias que entram na sua composição exercem forte atração para as formigas cortadeiras.

O cardápio

As formigas cortadeiras cortam as folhas de uma grande quantidade de plantas. No entanto, elas são seletivas e têm clara preferência por determinadas espécies - como eucalipto, citros, cana-de-açúcar, soja e café, entre outras.

Alguns pesquisadores falam que elas também preferem plantas cultivadas a plantas nativas. Mas, independente disso, há um cardápio predileto das cortadeiras: folhas jovens, partes tenras das folhas e flores. Apesar disso, ainda carregam folhas maduras e secas caídas ao chão, fezes de animais, papéis, sementes, plásticos, etc.

A preferência por diferentes materiais varia entre as espécies ou até entre colônias de uma mesma espécie. Na verdade, as formigas não se alimentam das folhas cortadas, que servem apenas para cultivar o fungo com o qual elas realmente se alimentam.

A fábrica de fungos

A casta das "cortadeiras/carregadeiras" levam as folhas até as panelas de fungo. Lá a casta das "jardineiras" recebem as folhas, ou pedaços delas e fazem a limpeza desse material picando em pedaços menores que serão depositados e distribuídos no "bolo" do fungo alimentar onde estes crescerão sobre esse substrato de folhas, servindo de alimento para a colônia.

A fábrica de fungos

Quando lambem os pequenos pedaços de folhas, as operárias ingerem sua seiva e minúsculas partículas vegetais, que passam pelo filtro da sua cavidade oral. Ao transportar as iscas formicidas Mirex-S para a colônia, elas fazem o mesmo: "lambem" os grânulos de isca e ingerem diminutas partículas com inseticida. Assim, começa a contaminação do formigueiro.

Arquitetura de um formigueiro (Atta - Saúvas)

As colônias de saúvas são as maiores entre os insetos sociais e o conhecimento de sua arquitetura é aspecto fundamental para se efetuar um controle eficaz do inseto.

Uma colônia de saúva configura-se como uma rede de câmaras escavadas no solo, interligadas por canais (túneis).

Essas câmaras (também chamadas de "panelas") têm papel estratégico, pois nelas as formigas cultivam o fungo que alimenta todo o formigueiro.

As câmaras também são usadas para alojar ovos, larvas, pupas, operárias, rainha e, se a colônia for adulta, as formas aladas - bitus e içás (durante uma fase do ano).

Arquitetura de um formigueiro

Foto: Prof. Dr. Luiz Carlos Forti - UNESP Botucatu

O murundum

Externamente, o formigueiro torna-se visível pela grande quantidade de terra escavada proveniente das câmaras, túneis, trilhas e canais de abastecimento. O aspecto desse acúmulo de terra escavada (murundum) varia de espécie para espécie.

Por exemplo:

  • O murundum da Atta sexdens possui terra solta;
  • Com a Atta laevigata o murundum é convexo, dando a impressão de estar bem compactado. Às vezes coberto por vegetação e com orifícios de entrada de folhas.
Murundum

Ninhos de Atta laevigata e Atta Sexdens - Equilíbrio Florestal

Toda terra depositada vem do subsolo e sua deposição é mais intensa em certas épocas do ano. Geralmente, nos meses que antecedem a revoada das içás e bitus o carregamento de terra intensifica-se.

Por outro lado, o carregamento é praticamente nulo de dezembro a abril e por isso é bem mais difícil saber se a colônia está viva ou morta, nesse período.

Formigueiros jovens depositam pouca quantidade de terra na superfície do solo. Mas, durante o segundo e terceiro anos de vida, a deposição de terra solta acentua-se.

Organização social

A população de um sauveiro é composta por indivíduos morfologicamente diferentes, cujo tamanho está relacionado à sua função na colônia - e também à idade, no caso específico das operárias.

Na colônia existem castas de reprodutores e de operárias. Nelas, há dois tipos de formigas:

  • As permanentes - como a rainha (fundadora da colônia) e as operárias (fêmeas assexuadas): cuja função é manter a colônia;
  • E as temporárias, como é o caso das formigas sexuadas aladas - bitus (machos), içás e tanajuras (fêmeas), que tem função de reprodução de formigueiros (colônias).

Veja como é o organograma das castas de um formigueiro:

Organização social
A rainha

A rainha é a fêmea que produz os ovos, na colônia. Ela também é conhecida por içá (quando há o vôo nupcial) ou tanajura e durante o ano inteiro, por toda sua vida, colocará ovos para a produção das operárias estéreis - as jardineiras, cortadeiras, escoteiras e/ou carregadeiras e soldados.

Apenas durante um período do ano ela colocará ovos para produzir novas rainhas e machos (mais bitus, menos içás), que sairão do formigueiro para fundar novas colônias, de setembro a dezembro.

As operárias

A grande população dos sauveiros é constituida pelas operárias, que são formigas ápteras e estéreis, cuidam da alimentação de toda a colônia e podem ser divididas em 4 categorias: soldados, generalistas, cortadeiras e escoteiras. Veja:

  • As operárias grandes são chamadas de soldados e fazem a defesa da colônia;
  • As operárias médias são as cortadeiras/carregadeiras, elas cortam e transportam os pedaços de folha para o interior do formigueiro;
  • As operárias menores são as jardineiras e, juntamente com as generalistas, elas picam os pedaços de folha em minúsculos pedacinhos, que então depositam na cultura de fungo ("esponja de fungo");
  • Depois, elas inoculam micélios de fungo nesses pedacinhos de folha e neles passam a cultivar o fungo propriamente dito.
As castas do formigueiro

Na tabela abaixo, você encontra uma visão completa das castas de um sauveiro e suas funções no dia-a-dia da colônia.

Largura da cabeça (mm) Descrição Tarefas típicas mais comuns Imagem
1,0 Jardineiras ou enfermeiras, com no máximo 2mm de comprimento de corpo Cuidam do jardim de fungo, incorporam os vegetais na cultura de fungo, inoculam hifas de fungo no novo substrato, lambem as partículas vegetais, limpam e alimentam outros indivíduos. Jardineira
1,4 Generalistas - são médias ou pequenas e trabalham dentro do ninho. Cortam os vegetais dentro do ninho, incorporam vegetais na cultura de fungo, lambem os vegetais, cuidam da rainha e levam partículas de vegetal exaurido para as câmaras do lixo. Generalista
2,2 Forrageiras e escavadoras (formigas médias a grandes) São escoteiras, recrutam outras formigas, cortam e transportam vegetais, escavam o ninho. Escavadora
3,0 Soldados Defendem o ninho. Soldado
2,9 Machos (bitús) Fertilizam a rainha. Bitús
5,2 Rainhas (içás, tanajuras) Fundam as colônias, produzem vários tipos de ovos e propagam a espécie. Rainha
O ciclo de vida de uma operária

Os ovos de uma operária eclodem entre 14 e 22 dias, na espécie Atta sexdens rubropilosa. Dessa fase de ovo até chegar à fase adulta, o período de aproximadamente 55 dias, mas veja na tabela 2 o ciclo completo das operárias, fase a fase.

Períodos do ciclo Tempo de duração (dias)
Período de incubação dos ovos 25
Período larval 22
Período pupal 10
Longevidade máxima da operária cortadeira 120
Longevidade máxima da operária soldado 390
Obs.: na fundação de uma colônia, as primeiras operárias adultas surgem após 66 dias.